May 19, 2012

 

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Conceito de auto imagem
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A imagem corporal é a ideia mental que uma pessoa tem do seu corpo em qualquer momento, baseando-se nas percepções passadas, assim como nas actuais. Engloba todas as representações, opiniões, atitudes e sentimentos que o sujeito constrói relativamente ao seu corpo.

A imagem que cada pessoa cria acerca do seu exterior é constituída por três componentes: a realidade corporal (a autoconsciência que tem acerca do seu corpo), o ideal corporal (aquilo que gostaria ou que ambiciona ser) e a apresentação do corpo (o modo como se apresenta: postura, roupa, etc). Esta imagem é também muito influenciada pelas experiências anteriores da pessoa, pela idade e pela sua personalidade.

O doente queimado sofre uma transformação da sua aparência que lhe exige uma nova adaptação, novas percepções, conceitos e imagem de si mesmo. São vários os factores que influenciam as reacções do indivíduo perante a sua situação, a forma de se ver,  o significado que atribuí à sua nova imagem e as reacções e sentimentos que desperta nos que lhe são mais próximos. Todos estes factores vão influenciar a capacidade do doente queimado se adaptar duma forma favorável ou desfavorável à sua nova realidade.

Culturalmente atribuem-se valores diferentes ao corpo, o que influencia o valor atribuído ao que se perdeu, por exemplo, alterações nas mamas da mulher, símbolo de feminilidade, podem ser igualmente marcantes do ponto de vista psicológico, comparativamente com a mão do homem, símbolo de trabalho. Alterações na face podem ser completamente desestruturantes em ambos os sexos, uma vez que a face é como que um cartão de visita, desempenhando um papel fundamental nas relações sociais entre as pessoas.  Alterações na aparência podem originar sentimentos de inferioridade ou mesmo de falta de competência, tanto para a pessoa lesada como para quem convive com ela.

 

Reacções à nova imagem
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O doente e família pode ter reacções muito idênticas, experimentando diferentes fases desde o acidente até ao primeiro contacto com a área lesada.

 

Fase de Impacto, caracteriza-se essencialmente pelo choque, quer do doente como das pessoas que lhe são significativas, face à queimadura. Existem sentimentos de revolta, de culpabilização face ao acidente, sentimentos de impotência, de ansiedade, o doente sente-se perdido.  

 

Fase de negação em que o choque subsiste, o doente torna-se mais ansioso e tenta afastar-se emocionalmente da situação. Revelam-se sentimentos de fuga, pseudo-autoconfiança, humor instável, não se aborda o assunto das queimaduras,nega-se a situação. 

 

Fase de reconhecimento, em que doente e as pessoas significativas reconhecem o que lhe aconteceu e choram as perdas. O doente começa a aperceber-se das implicações do problema e demonstra tristeza, ansiedade; vergonha e sentimentos face ao corpo, tem  medo da rejeição. Podem existir sentimentos de  culpabilização e de revolta.

 

Reacções problemáticas: Isolamento; sentimentos de inferioridade; depressão grave; recusa prolongada em abordar o seu problema, evita olhar-se ao espelho ou para o corpo.

 

Fase de reconstrução existe um período de ajustamento ao estilo de vida. O doente incorpora as suas alterações e nova imagem corporal no seu auto-conceito. 

Papel do enfermeiro perante as reacções
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Compreender qual a percepção que o doente tem das suas alterações, valorizando todos os seus sentimentos é o principal papel do enfermeiro. O enfermeiro é previligeado na relação com o doente, pelo tempo que passa com este, o que faz com que seja responsável não só pela identificação dos  seus problemas, como também pelas suas soluções. Deve então:

 

  • Encorajar o doente e família à expressão de seus sentimentos;
  • Demonstrar disponibilidade para ouvir, criando momentos para esse efeito;
  • Estabelecer uma relação de ajuda e de confiança, que permita um diálogo aberto;
  • Estar atento à forma como olhamos e comentamos as alterações do doente, não deixando que qualquer atitude negativa ou juízo de valor seja percepcionado por este;
  • Preparar sempre o doente para o que vai ver aquando da realização dos pensos, se necessário descrever para amortizar o choque;
  • Questionar o doente se quer ver a área queimada, ou olhar-se ao espelho, encorajando-o a fazê-lo gradualmente e ao seu ritmo, questionando sempre como é que este se imagina;
  • Dosear a informação ao ritmo do doente, respeitando o seu tempo;
  • Solicitar ao médico que explique todos os procedimentos cirúrgicos realizados;
  • Validar sempre com o doente se compreendeu o que lhe foi dito;
  • Preparar as visitas para o que vão observar, principalmente no primeiro contacto. 

 

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