São muitos os cuidados a ter pelo doente queimado quando tem alta hospitalar e vai para a sua casa. É importante que o enfermeiro e os outros profissionais de saúde preparem o doente para a sua nova realidade, capacitando-o para ser autónomo na realização das suas actividades de vida diária. A informação que deve ser dada, deve ser gradual e fornecida ao ritmo de aceitação do doente, contudo deve ser validade antes da saída do doente do internamento. Deve ser também incluído um familiar nos ensinos realizados, para que possa haver uma ajuda e um suporte aquando da alta hospitalar.
Assim, destaca-se as principais intervenções do enfermeiro na educação do doente para a alta.
• Demonstrar disponibilidade para ouvir os problemas e questões do doente face à alta.
• Proporcionar um momento para a expressão de sentimentos do doente ou pessoa que lhe é significativa face à perspectiva de alta.
• Incluir uma pessoa significativa para o doente nos ensinos, que deverá ser escolhida pelo próprio.
• Criar um momento para os ensinos e demontração dos mesmos junto de um familiar.
• Informar o doente acerca das novas características da pele, que podem surgir associadas à área lesada:
- sensibilidade alterada, em áreas de enxerto de pele por exemplo;
- coloração alterada, as áreas queimadas podem ficar marcadas adquirindo cores diferentes do tom de pele do indivíduo, que podem atenuar com o passar do tempo;
- aparecimento de quelóides, podem surgir dependendo da capacidade individual de cicatrização.
• Promover os cuidados com a pele cicatrizada:
- a lavagem, deve ser feita com água tépida evitando lesar a pele, utilizando uma solução de Ph neutro e não esfregando muito, evitar a fricção;
- a secagem, em que deve ser utilizada uma toalha turca macia para secar a pele, sem esfregar;
- hidratação, devem ser utilizados hidratantes sem alcóol, uma vez que secam a pele (pode aconselhar-se com o seu médico) e hidratada várias vezes ao dia, pois é uma pele com tendência a secar mais que a pele sã.
• Promover a utilização da pressoterapia e os cuidados com a mesma. Explicar o seu objectivo, diminuir o aparecimento de cicatrizes quelóides, que não permitem maior elasticidade da pele. Estas roupas elásticas devem de ser usadas o maior número de horas possível, até se possível as 24h, ou seja, só deveriam ser retiradas para tomar banho, hidratar a pele e lavagem das mesmas. A lavagem dos fatos deve ser feita à mão, sem expremer muito, secando sem molas, apenas apoiados numa superfície para que não percam a sua elasticidade. A pressoterapia é prescrita pelo médico e não comparticipada pelo serviço nacional de saúde, devendo ser usada entre 1 ano a 2 anos.
• Promover a utilização de roupas e acessórios adequados, isto é, no caso da face afectada usar chapéu para evitar a exposição solar. Deve ser feita a opção por tecidos naturais para a roupa, o algodão ou o linho, evitando o uso de fibras e tecidos sintéticos que aumentam o calor e a irritação da pele.
• Promover os cuidados a ter com a exposição ao sol. Evitar as horas de maior calor (10.30h-17h) e quando sai de casa colocar protector solar de ecrã total. Nos dois primeiro anos não deve ir à praia porque a pele tem tendência a hiperpigmentar, ganhando diferentes tons de pele e manchas. Usar protector de ecrã total diário nos meses de maior sol.
• Informar o doente acerca de alguns cuidados com a alimentação: Ingerir muita água e comida rica em proteínas, importantes na cicatrização da pele do doente.
• Encorajar a participação do doente nas actividades de vida diária, nunca o substituindo, ajudando-o a tornar-se autónomo. Reforçar positivamente todos os pequenos ganhos, apoiando psicologicamente o doente, sem nunca o deixar desistir.
• Incentivar a mobilização das áreas afectadas, ajudando-o para que não desite, uma vez que muitas vezes está presente a dor.
• Avaliar a necessidade de encaminhamento para outros técnicos.
• Demonstrar disponibilidade para esclarecimento de dúvidas.